Tumores Benignos x Tumores Malignos




Quando o assunto são os tumores normalmente as pessoas se sentem muito desconfortáveis e temorosas, justamente pela associação com o câncer. Esse temor é bem fundado, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo, tendo sido responsável por cerca de 9,6 milhões de óbitos em 2018. Sem dúvidas essa é uma doença com grandes taxas de mortalidade e com prognóstico normalmente ruim, especialmente quando descoberto tardiamente, em que as chances de cura são muito baixas.

Contudo, é importante saber que nem todo tumor é câncer. As neoplasias podem ser classificadas em malignas ou benignas, como veremos a seguir.

Neoplasias Benignas

Neoplasia significa um novo crescimento de determinado tecido orgânico, sendo, portanto, um sinônimo para “tumor”.

A neoplasia benigna ou tumor benigno é um aumento anormal do tecido devido ao crescimento e multiplicação exacerbadas de células bem diferenciadas. Isso significa que se o tumor tiver origem no tecido epitelial (tecido que recobre o corpo, por fora formando a pele e por dentro formando as mucosas, além de estarem presentes nas glândulas), seu crescimento obedecerá o padrão das células epiteliais.

Outra característica muito importante dos tumores benignos é o seu crescimento lento na maioria dos casos, o que facilita o seu tratamento. Além disso, as neoplasias benignas não invadem os tecido adjacentes, mas são bem delimitadas, o que faz com que não se alastrem pelo corpo.
Devido às suas características, os tumores benignos têm bom prognóstico, pois podem ser completamente removidos e são completamente curáveis quando tratados adequadamente. Contudo, é importante frisar que um diagnóstico tardio permite que o tumor tenha um tempo de crescimento maior, o que faz com que a cirurgia para a sua completa remoção seja extremamente invasiva e traumática, levando o paciente a sequelas graves e necessidade de reabilitação protética dependendo da região afetada.

Essa imagem radiográfica (radiografia panorâmica) mostra um caso em que a paciente passou pelo procedimento de hemimandibulectomia (remoção de metade da mandíbula) para a ressecção de um tumor benigno do tipo ameloblastoma, com tempo de evolução de 7 anos. Nesse caso, a paciente necessitou de uma placa e parafusos de titânio para reconstruir a área em que perdeu o osso mandibular.

Os tumores benignos seguem uma regra de nomenclatura de acordo com o tecido de origem seguido do sufixo “oma”. Vejamos alguns exemplos:

  • Shwannoma – tumor benigno de tecido nervoso
  • Osteoma – tumor benigno de tecido ósseo
  • Condroma – tumor benigno de tecido cartilaginoso
  • Lipoma – tumor benigno de tecido gorduroso

Como toda regra possui uma exceção, existem algumas neoplasias com sufixo “oma” que não são benignas, como é o caso do melanoma, que é um tipo de câncer de pele extremamente agressivo.

Neoplasias Malignas

A neoplasia maligna, tumor maligno ou simplesmente câncer é uma doença com grande taxa de mortalidade em todo o mundo, tendo sua cura completa ainda desconhecida.
A palavra câncer vem do grego karkínos, que significa “caranguejo”, sendo usada pela primeira vez por Hipócrates, pai da medicina (460-377 a.C.). Essa é uma doença muita antiga e que desde muito tempo tem afetado a humanidade.
Em suma, o câncer pode ser conceituado como um “crescimento desordenado de células, que tendem a invadir tecidos e órgãos vizinhos” (INCA). Isso acontece porque as células sofrem algum tipo de mutação genética, e quando começam a se multiplicar acabam se apresentando de maneira atípica, ou seja, diferente da célula mãe. Esse crescimento além de atípico é desordenado e acelerado, o que faz com que se manifestem os tumores. Um dos agravantes do câncer em relação aos tumores benignos é justamente o fato de que ele possui um crescimento rápido e invade os tecidos e órgãos vizinhos (metástase), podendo se espalhar por todo o corpo, comprometendo outros órgãos e tecidos. Seu nome se deriva justamente dessa característica de infiltração, que quando foi observada, aos olhos do observador era semelhante a um caranguejo com suas patas.

Conforme a imagem mostra, as neoplasias malignas têm a capacidade de se alastrarem através da corrente sanguínea por todo o corpo, o que consiste numa das grandes dificuldades de tratamento dos cânceres. Além disso, por não serem bem delimitados, mas terem caráter infiltrativo, sua remoção cirúrgica é quase impossível.
A nomenclatura dos tumores malignos obedece outro padrão: quando o tecido de origem é um tecido de revestimento, ele é chamado de carcinoma. Quando o tecido é de origem mesenquimal (tecidos conjuntivos), sua nomenclatura terá a palavra sarcoma, como o osteosarcoma (câncer nos ossos). Quando a neoplasia maligna for em tecido glandular, seu nome será adenocarcinoma. Em todos os casos deverá haver referência ao local afetado pela neoplasia.