Recomeços




A bíblia está repleta de histórias de recomeços. Nela encontramos homens e mulheres que decidiram tentar novamente, com um novo olhar, por caminhos diferentes e com a certeza de que mesmo seguindo na direção não dos seus olhos, mas sob o olhar e permissão de Deus, conseguiram encontrar o caminho da felicidade e da plenitude de paz que há em Cristo. No livro do profeta Isaías 43:18-19, encontramos a seguinte afirmativa: “esqueçam o que se foi; não vivam no passado. Vejam, estou fazendo uma coisa nova! Ela já está surgindo! Vocês não a reconhecem? Até no deserto vou abrir um caminho e riachos no ermo”. Você pode até dizer: “Não é fácil”; mas Deus diz: -“EU TE AJUDO” (Is 41:10). Pode não ser a direção que você escolheu, mas se está sendo guiado por Deus, o recomeço te permitirá ser transformado.

Quero trazer aqui uma mulher que teve recomeços marcantes de tal modo que, chegou a ser uma das mulheres citadas na galeria dos heróis da fé: “pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido” (Hb 11:11). Certo dia Deus disse Abrão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12:1). É aqui que inicia um novo recomeço na vida de Sarai. Ela e seu esposo partem em busca da terra prometida, uma terra que só Deus conhecia e ainda assim eles creram que o Senhor nesta terra desconhecida faria deles uma grande nação. Mas Sarai era estéril, e com certeza, mesmo antes da sua partida, de sair da sua parentela, ela já tinha conhecimento deste fato! Certamente era uma mulher ridicularizada, criticada por ainda não ter dado filhos ao seu esposo. E quando recebem de Deus a promessa, eles não pensam no que deixariam para trás, mas imediatamente acatam, obedecem e abraçam como uma nova oportunidade e assim eles começam o caminho rumo a uma nova história, ao recomeço. Longe de quem contemplava a sua esterilidade como um fracasso, longe de pessoas que os apontavam como uma família triste e sem filhos, creram firmemente em uma promessa grandiosa, mesmo tendo como “real companheira” as impossibilidades. Nesse percurso ela teve muitos desafios ao lado do esposo e quis fazer as coisas do seu jeito. Deixou que a insegurança, o medo, a velhice e todas as demais condições desfavoráveis, interferissem no percurso da promessa. Mas era preciso crer em Deus.

Confiar, ter fé… Esses foram requisitos (sentimentos) necessários para que eles pudessem experimentar a grandeza do milagre de Deus em suas vidas. Por diversas vezes tiveram sua fé testada, foram peregrinos, viveram em tendas, ofereceram o filho como sacrifício, contudo, mantiveram seu olhar crendo no invisível e firmado no que era eterno: “A PROMESSA”.

Atualmente vivemos um cenário mundial de pandemia, e isso nos assusta. Medos, perdas, mortes, incertezas, essa é a realidade com a qual estamos lidando diariamente e muitas pessoas têm se recusado a viver um recomeço. Ao invés disso, preferem mergulhar a alma nas profundezas escuras da depressão e esquecem que o Senhor tem para cada um de nós uma promessa maior que a de Abraão e Sara: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3:21). Vida eterna, lar celestial, Nova Jerusalém nos aguarda. Jesus vem nos buscar e não há nada que irá impedir este encontro, a não ser as nossas próprias escolhas. Mesmo em meio ao caos, existem recomeços: “eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19:25). Sim, Ele vive, e Suas promessas sobre nós permanecem para sempre.

As nossas histórias não são diferentes, temos nossos desertos, somos confrontados pelo medo e tantos outros sentimentos. Mas são as nossas escolhas que farão a diferença. Ou olhamos para tudo o que nos cerca, nos prende e nos impede de confiar nos conduzindo ao fracasso espiritual, ou simplesmente decidimos obedecer, ir adiante e fazermos exatamente como uma águia, que ao finalizar um dos seus ciclos, sobe para o alto da montanha e lá inicia seu processo de renascimento. Quando finaliza sua transformação, parte de lá para um novo voo, bem mais alto agora. Sabe porquê? Ela se livrou das penas velhas, gastas com o tempo, da sujeira acumulada nas pernas. Ela tem garras novas e isso a permite alcançar seu alvo mais rapidamente e ela tem um bico novo. Ela não deixou de ser águia no meio do processo, no entanto decidiu se livrar de tudo que a impedia de alçar vôos maiores.

Que nós mulheres possamos ter forças de recomeçar, renascer como a águia e crer que as promessas irão se cumprir e só cabe a Deus conhecer o momento da nossa vitória, a nós, a coragem de confiar, ter fé e continuar a lutar, orando umas pelas outras de modo que ninguém se perca no meio do caminho.

Queridas e preciosas mulheres, Deus as abençoe!

Viviane Vieira