Pessoas específicas, projetos específicos




Um antigo hino cristão diz: “Deus tem um plano em cada criatura”. Esta é uma verdade cristalina em toda a Bíblia. Deus não faz nada sem um propósito específico. Em toda a obra de Deus nós vemos funcionalidade envolvida. No relato de Gênesis 1, no dia quarto, Deus fez dois grandes luminares: o sol e a lua. Não se pode negar a beleza do sol beijando o mar quando ele se põe no horizonte, nem a face da lua se exibindo quando está cheia. Embora tudo isso nos cause espanto e admiração, há um propósito por detrás de todo este encanto: “Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom” (Gn 1.17,18 – ênfase acrescentada). Para coroar a criação, o Senhor fez o homem e a mulher, e os colocou em um maravilhoso jardim chamado Éden. A Bíblia afirma que o homem foi posto naquele paraíso “para o lavrar e o guardar” (Gn 2.15 – ênfase acrescentada). O jardim foi criado para o prazer e sustento do homem, e este por sua vez para o cuidado do jardim; e assim temos uma reciprocidade de função: o Éden para Adão, e Adão para o Éden.

Que fique claro: toda pessoa tem um propósito dado por Deus para ser cumprido neste mundo. Observe a história de José: apesar de todo sofrimento que ele havia passado, aquele homem entendeu o propósito de Deus para sua vida. Quando ele se revelou para os seus irmãos, disse: “Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (Gn 45.7). Ele não estava no Egito apenas por estar; havia uma tarefa especial dada por Deus para ser desempenhada ali, e isso estava claro para José: “não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus” (Gn 45.8). Devemos estar muito atentos às oportunidades que o Senhor nos dá. Em Sua infinita sabedoria Deus nos põe em posições estratégicas com o objetivo de realizar alguma coisa neste mundo.

Quando Ester esteve presente na corte de Assuero, os judeus estavam prestes a sofrer um massacre. Se Deus não intervisse de forma poderosa, o “bichinho de Jacó” seria devorado por Hamã, a besta fera do império Medo-Persa. Mas Deus agiu. Porém, não pense que Ele mandou fogo do céu ou abriu a terra e engoliu os inimigos do Seu povo; embora pudesse fazer isso, o Senhor usou outros meios. A arma de Deus era delicada e frágil, mas era a arma certa, para a hora certa. Não era espada ou canhão, era Ester, uma jovem judia. Mardoqueu, homem muito sábio, disse àquela rainha: “quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” (Et 4.14). Ester era a pessoa específica para um tempo e propósito específicos. Algo semelhante acontece quando lemos a história de João, o Batista. O evangelista Mateus registrou: “E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judeia” (Mt 3.1). Nesta curta sentença nós temos um tempo específico: “naqueles dias”; uma pessoa específica: “João o Batista”; uma função específica: “pregando”; e um lugar específico: “no deserto da Judeia”. Sabemos que João era um nome muito comum naquele tempo, mas este era João, o Batista, não outro, e só ele poderia realizar aquela missão e mais ninguém. Aquele homem estava plenamente cônscio de sua tarefa entendendo que Deus o havia mandado batizar com água (Jo 1.33).

Tudo isso nos leva a entender que Deus tem algo para nós também. A grande pergunta filosófica “Por que estou aqui?” pode ser respondida. Deus implantou certos indícios em nós mesmos. Dons, talentos, temperamento e até mesmo indignação podem nos mostrar qual é o nosso propósito. Se Deus tem um objetivo até para uma formiga, não podemos crer que Ele não o tenha para aqueles que foram criados à Sua imagem e semelhança. Examine a si mesmo. O que você sabe fazer? O que você gosta de fazer? Você é reflexivo ou agitado? Racional ou emotivo? O que te causa profunda indignação? A pobreza? O racismo? A fome? O que você pode fazer para mudar este caos? Tudo isso e muito mais são setas que indicam sua vocação, seu propósito, sua tarefa neste mundo.

Talvez você tenha mais indicações do que estas. Enquanto a igreja de Atos servia ao Senhor, o Espírito Santo disse claramente: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra que os tenho chamado” (At 13.2); aqui mais uma vez temos pessoas específicas e um propósito específico. Deus ainda age assim em nossos dias, Ele ainda fala por meio do Seu Espírito ao Seu povo; mas ainda que você não tenha uma revelação como a de Barnabé e Saulo, precisa entender que Deus criou um propósito para sua vida, você é especial no plano de Deus. Pare de ficar se comparando aos outros, você tem capacidades que outras pessoas não têm, e vice-versa. Qual seria a graça se todo mundo fosse orador, engenheiro, médico ou até mesmo pastor? Todo ser humano carrega a imagem de Deus em si, mas isso não significa que todos somos iguais. Há uma diversidade fantástica na criação, e principalmente entre os seres humanos. Uns são açougueiros, outros pregam, outros tem raciocínio lógico rápido, outros tem habilidades artísticas altamente aguçadas, e todos são importantes. É como em uma construção: o engenheiro não é mais importante que o pedreiro, que por sua vez não é mais importante que o servente; para que o prédio fique em pé os cálculos matemáticos do engenheiro não são suficientes, é preciso a habilidade do pedreiro e a força do servente. Por isso não há razão para ele se achar superior só porque trabalha mais com a cabeça do que com as mãos; ele não possui todas as capacidades, ele depende dos outros e os outros dependem dele.

Não pense que sua tarefa é simples ou pequena demais, não a desvalorize se não estiver diretamente conectada ao âmbito eclesiástico, ou se não lhe trouxer fama, pois o maior propósito para o qual fomos criados é ter comunhão com Deus e glorifica-Lo, e para isso você não precisa fazer parte do clero, muito menos ser famoso. Não importa se você é invisível, o que importa é: “Você está cumprindo o seu propósito?”. Martin Luther King Jr. afirmou: “Se alguém foi chamado para ser varredor de rua, ele deveria varrer as ruas com o mesmo empenho que Michelangelo pintava seus quadros, que Beethoven compunha suas músicas ou que Shakespeare escrevia suas obras. Ele deveria varrer tão bem as ruas de modo que todas as hostes celestiais e terrenas parassem para observar e dissessem: aqui viveu um grande varredor de rua, que fez um ótimo trabalho” (Chamada da Meia-Noite; nº11; ano 50). No Tribunal de Cristo o que estará em jogo não é se você ficou famoso ou não, mas se você fez o que deveria fazer! Qual era o nome da viúva pobre que ofertou apenas duas moedinhas? No entanto, Jesus disse que a sua oferta foi a maior de todas. Como se chamava o rapaz que deu a Jesus seus cinco pães e dois peixinhos? Não sabemos, mas foi o seu pouco que Jesus usou para alimentar milhares. Se tudo o que você tem é pouco, dê o seu pouco para Jesus, pois a fidelidade é mais importante que a quantidade! Deus não chamou todas as pessoas para serem celebridades; a Bíblia está cheia de heróis desconhecidos, mas seus nomes estão arrolados nos céus.

Qual é a sua vocação? Por que você está aqui? Observe atenciosamente aquilo que Deus já plantou em você; seja sensível aos impulsos do Espírito Santo em seu coração; esses indicativos são essenciais para obtermos a resposta. E por fim, “tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec 9.10). Não sejamos medíocres, mas que ao sondar o nosso íntimo, Deus encontre o mesmo que Ele achou em Daniel: “um espírito excelente” (Dn 5.12).

Em Cristo,

Gabriel Oliveira