Forte, fraco ou fracassado?




É um fato que nem todos os crentes se encaixam numa única condição espiritual. A Bíblia fala de crentes espirituais e carnais, fervorosos e vagarosos, maduros e neófitos, entre tantos outros. Uns poucos cristãos podem ser nivelados com “Judas, chamado Barsabás, e Silas”, que, como registra Lucas em Atos, eram varões distintos, não apenas do mundo, mas dentre os próprios irmãos (At 15.22). Eram homens que estavam acima da média. No entanto, vamos enfocar três subgrupos dentro da esfera cristã: os fortes, os fracos e os fracassados.

Os fortes são aqueles que estão firmes no Senhor. São irmãos dedicados a Deus em oração, que possuem raízes profundas na palavra de Deus e são verdadeiros valentes na causa de Cristo. A varonilidade espiritual de alguns nos causa admiração a tal ponto de nos sentirmos cristãos de uma ordem inferior no exército de Cristo quando nos comparamos a eles. Porém, não devemos esquecer que um homem, por mais excelente cristão que seja, ainda é um homem. Não existe super-homens nem mulheres maravilhas na Igreja de Cristo. Existe um fato que é comum a todos os homens que pisaram neste mundo: “todos vão ao banheiro”. Do erudito ao ignorante, do sábio ao tolo, do monarca ao súdito, dos mais santos aos mais desventurados pecadores, todos já visitaram o ambiente mais “desagradável” da casa. Portanto, não se iluda: o mais valente dos soldados do Senhor pode acabar se vergando ante a derrota. Por isso o apóstolo Paulo advertiu aos coríntios: “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia” (1Co 10.12- BKJ). Olhe para o exemplo de Jeú: tal era sua valentia que Eliseu, o profeta do Senhor, dirigiu-se a ele chamando-o de capitão (2Rs 9.5); o óleo santo foi derramado sobre sua cabeça e de capitão passou a ser rei. O texto sagrado afirma que o andar de Jeú era furioso (2Rs 9.20). Ele exterminou a casa de Acabe cumprindo a profecia de Eliseu, e era zeloso por Deus (2Rs 10.16). Entretanto, a Bíblia também registra uma das mais tristes palavras a respeito deste homem: “Mas Jeú não teve cuidado” (2Rs 10.31). O resultado disso é que Deus não permitiu que se alargasse o reinado de Jeú, pois os inimigos se levantaram, e “naqueles dias começou o SENHOR a diminuir os termos de Israel” (2Rs 10.32). Jeú tinha a unção, valentia e zelo, mas não tinha cuidado; por isso, não pode experimentar a plenitude da benção de Deus. Uma posição elevada aumenta o privilégio, mas aumenta também a necessidade de uma responsabilidade maior.

A outra subdivisão que encontramos na igreja é a dos fracos. Muitos destes já foram valentes na fé, mas o cansaço foi lhes haurindo a energias, e se encontram profundamente debilitados. Já não têm forças para abrirem suas bíblias e ouvirem a Deus, a oração já não ocupa lugar de proeminência em seus cronogramas diários, há pouca força para vir aos cultos, para lutar e para reagir. Não são pessoas que se desviaram, mas estão caminhando em uma via média; são soldados esgotados, feridos, que estão combalidos na batalha. O escritor aos Hebreus deixou uma mensagem a estes também: “Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado” (Hb 12.12,13). Deus não deseja que os fracos se entreguem ao fracasso, mas que se fortaleçam no Senhor. Soldado cansado e ferido, que está manquejando, você pode tudo naquele que te fortalece. O Grande e Sumo sacerdote que está diante de Deus, intercedendo por nós, se compadece das nossas fraquezas (Hb 4.15), e pela fé você pode tirar força da fraqueza, se esforçar na batalha e pôr em fuga os cruéis batalhões de Satanás (Hb 11.34).

Por fim, chegamos aos subconjunto dos fracassados. Nosso coração se comove quando falamos deles. Foram homens e mulheres de valor, que fizeram façanhas em nome do Senhor, mas sofreram um ataque fatal. O pecado, nosso maior inimigo, lhes trespassou o coração com sua espada mortal, e podemos prantear como Davi: “Como caíram os valentes no meio da peleja (2Sm 1.25)! Quantos se enfraqueceram tanto, que fracassaram! Tombaram diante do inimigo atroz e não conseguem mais se levantar. Esses não estão manquejando, e sim caídos; se desviaram inteiramente; contudo, o fracasso não é o fim. O Deus que nos chamou é poderoso para restaurá-los. Sabemos que o homem não pode levantar-se por si só. O pecado, o diabo e o mundo são inimigos fortes demais, e as habilidades humanas não são fortes o suficiente para se colocar defronte a estes poderes e colocar o fracassado de pé. Só Deus tem o poder para erguer o homem caído. Hernandes Dias Lopes afirma que “o fracasso só é fracasso quando você não aprende com ele. O fracasso precisa ser seu pedagogo, e não o seu coveiro”. Por isso, pranteamos como Davi, mas nos juntamos a Ana em louvor dizendo: “[Deus é Aquele que] levanta o pobre do pó, e do monte de cinzas ergue o necessitado” (1Sm 2.8). Faça como Davi: clame ao Senhor e espere nEle; Ele colocará os seus pés novamente sobre a rocha (Sl 40.1,2)!

E você, em qual desses grupos se encaixa? Se você está forte, tenha cuidado. Se está fraco, fortaleça-se na graça do Senhor. Se você fracassou, poderoso é Deus para te levantar!

Em Cristo,
Gabriel Oliveira