Fissura Labiopalatal




A fissura labiopalatal é a deformidade craniofacial mais frequente em todo o mundo, ocorrendo em cerca de 2 casos a cada 1.000 nascimentos. Popularmente, a fissura apenas de lábio é conhecida como “lábio leporino”, e a fissura apenas de palato (céu da boca) é conhecida como “goela de lobo”.

As fissuras ou fendas são aberturas que comunicam partes do corpo quando não ocorre ou corre um fechamento incompleto de determinadas estruturas anatômicas durante o desenvolvimento embrionário.

Tais malformações são passíveis de correção por meio de cirurgias e tratamentos multidisciplinares com médico, cirurgião-dentista, fonoaudiólogo e psicólogo, visando a integração do indivíduo na sociedade. No entanto, algumas dificuldades são enfrentadas pelo portador da fissura labiopalatal, o que faz com que seja necessário um tratamento precoce e prolongado, podendo perdurar por décadas.

Causas

As causas exatas que levam ao desenvolvimento das fissuras ainda não são muito precisas, porém existem muitos fatores conhecidos que predispõe a esse tipo de má formação, que normalmente ocorre entre a 4ª e a 12ª semana de vida intra-uterina. Assim sendo, o primeiro trimestre de gestação é o mais crítico no que diz respeito a essa deformidade craniofacial.

As causas mais frequentes são:

  • Fatores genéticos;
  • Presença de outra anomalia, levando a um caráter sindrômico;
  • SAF – Síndrome Alcóolica Fetal – consumo de álcool durante a gestação;
  • Tabagismo durante a gestação;
  • Uso de drogas durante a gestação;
  • Doenças maternas durante a gestação (rubéola, diabetes, convulsão, hipertensão, etc.);
  • Exposição à radiação ionizante, poluição e produtos químicos tóxicos;
  • Deficiência de Vitamina B ácido fólico.

Todos esses fatores, quando presentes no primeiro trimestre de gestação, se tornam ainda mais danosos ao embrião, pois nessa fase ocorre o maior pico de desenvolvimento anatômico do nascituro.

Tipos

As fissuras labiopalatais se apresentam em diferentes tipos e diferentes níveis de complexidade. Elas podem ser unilateral (presente apenas de um lado, sendo que o lado esquerdo é o mais afetado), bilateral (presentes nos dois lados, esquerdo e direito) ou mediana (presente na linha central do lábio, sendo mais incomum).

Além do lado, a fissuras são classificadas de acordo com sua extensão. Elas podem atingir lábio, alvéolo (parte do osso maxilar onde estão inseridos os dentes superiores), palato duro (parte dura do céu da boca) e palato mole (parte mole do céu da boca, próxima à garganta), podendo envolver também a úvula (“sininho” da garganta). Além disso, as fissuras labiais normalmente envolvem sensivelmente o nariz (Figura abaixo).

Assim, dependendo das estruturas acometidas, as fissuras podem ser labial (apenas lábio), labiopalatina (lábio + céu da boca) ou palatina (apenas céu da boca).

Tratamento

A primeira cirurgia a ser realizada é a dos lábios (queiloplastia), que pode ser realizada entre 3 e 6 meses de vida, e a de palato entre 12 e 18 meses.

Casos mais severos necessitam de mais intervenções cirúrgicas ao longo da vida, como enxertos ósseos, instalação de implantes dentários – pois em alguns casos ocorre agenesia, isto é, falta de alguns dentes – e cirurgia ortognática, que tem por finalidade o reposicionamentos dos maxilares. Normalmente cirurgias plásticas também são necessárias, sendo que após todos os processos cirúrgicos, se houver necessidade, o paciente será submetido à rinoplastia (cirurgia plástica no nariz), e após isso poderá receber alta de seu tratamento.

Existem casos também em que o paciente necessita de próteses dentárias para poder se alimentar e falar adequadamente. É bastante comum portadores de fissuras labiopalatinas possuírem voz anasalada (fanhosa) devido ao escape de ar pelo nariz, o que faz também fundamental o acompanhamento fonoaudiológico.

Todo essa tratamento, se começado desde o nascimento da criança, poderá durar pelos menos 20 anos, por isso é preciso ter paciência e perseverança para a conclusão.

CAIF

A cidade de Curitiba é privilegiada com o Centro de Atendimento Integrado ao Fissurado Lábio Palatal (CAIF), que é vinculado e anexo ao Hospital do Trabalhador. Esse centro é referência em todo Brasil no tratamento das fissuras labiopalatais, recebendo pacientes de todo o país.

O CAIF conta com um extensa equipe multidisciplinar, que atende de maneira integrada aos pacientes fissurados. Na equipe o paciente receberá cuidados das equipes médicas em várias especialidades, incluindo neurocirurgia, odontologia em várias especialidades, psicologia, nutrição e fonoaudiologia, além do setor educacional e de assistência social.

Conclusão

A fissura labiopalatina pode comprometer seriamente a vida de quem a possui, porém é fundamental saber que essa deformidade possui tratamento de tal maneira que o indivíduo pode ser inserido normalmente na sociedade e desenvolver atividades comuns como qualquer outra pessoa (desde que, é claro, não esteja associada a síndromes que causam comprometimentos cognitivos ou físicos mais graves).

É muito importante estar consciente sobre os riscos e também sobre a maneira de conduzir tais casos.