Dia das Mães (poesia, cura & reflexão)




I. Poesia
E mais uma vez, o tempo passou;
Outro ciclo se encerrou,
Do calendário, folhas foram descartadas,
Novas páginas são chegadas;
É o segundo domingo de maio, mais uma vez.
Feliz Dia das Mães!
Esta data, aparentemente comercial,
Sempre nos revela o essencial,
Externa-se espelho do que é real
Para autorreflexão:
Que filhos nos tornamos?
O quanto de amor damos?
O que a vida fez de nós?
Apertaram-se os laços, ou afrouxaram-se os nós,
Da vergonha pueril sentida no primeiro dia de aula,
Pelas despedidas exageradas enquanto os demais coleguinhas riam?
A tentativa frustrada em agradar,
Na primeira ajuda em casa, a primeira louça lavada,
Ora com gordura, ora com sabão;
Das decepções colecionadas,
Que, com certeza, ela não se lembrava,
Pois seu coração é raiz de perdão;
Da voz no portão chamando para entrar,
Da recordação insistente para não se esquecer de levar,
O guarda-chuva, o casaco, as chaves ou o celular;
_Ah, o telefone celular!
Este aparelho tão essencial que hoje lotamos de vida adulta,
E muitas das vezes, sequer escuta,
O coração cheio de saudade chamar,
Clamando pelo filho que carregou em seu ventre, informe,
E hoje, independente na vida, já enorme,
Que não pode mais caber em seus braços –
Mas caberá para sempre no centro da sua mais singela oração.
Em tempos tão frios como os atuais, em que não há compaixão,
Pergunta-se: que filhos nos tornamos, então?

II. Cura
Prossigo crendo que a maternidade é dom de Deus,
Pois, gerar e amar são verbos diferentes;
Mas Deus, Onipotente, Onisciente e Onipresente,
Conhecedor de almas e traumas, feridas mal saradas,
Neste segundo domingo de maio,
A você que, se pudesse, pulava direto para segunda-feira,
O Senhor lhe dá oportunidade certeira,
De cura em seu interior.
A você que não foi uma boa mãe – e reconhece,
Aproveite a oportunidade desta poesia prece,
E abunde-se na misericórdia do Deus que é essencialmente amor.
Abrace seu filho enquanto é dia,
Pois, no silenciar da noite, não haverá mais calor;
E a você que reconhece não ser bom filho,
Jesus deseja transformar seu coração em amor – e tem pressa;
Honrar pai e mãe é mandamento com promessa –
Viva! E que sejam bênçãos teus dias nessa Terra.
A você que é ferido porque teve uma mãe ruim,
Que marcou a sua infância ou a machucou de forma assim;
O Bom Samaritano traz vinho e azeite, Ele te cura nesta data,
Não passe mais nem um segundo vivendo uma vida amarga;
O Senhor derrama sobre ti Cura! Ele tem vida e graça!
A você, mãe, ferida pela vida ou pelo filho(a) que a deixou,
Ou quem sabe, até mesmo, afastado do caminho do Senhor,
Continue orando! Sua oração tem chegado até o Trono da Glória;
Insista mais um pouquinho, Cristo é poderoso para te dar vitória!
Ele se compadeceu da mãe do falecido em Naim;
Também há ressurreição na sua história; Jesus te visita, sim!
Agora, nos tempos presentes, mães e filhos órfãos pela COVID-19,
Recebam o bálsamo de Cristo, pois Ele, como Deus, também se comove;
E que, por Seu infinito amor e bondade,
Ao cheiro das águas, cada raiz se renove.

III. Reflexão
É… Mais uma vez, é o segundo domingo de maio;
Não se envaideça com os presentes. Viva o tempo presente!
Novamente: é tempo de autorreflexão.
Que filhos nos tornamos? Somos honrados cidadãos?
O que podemos a Deus oferecer?
A você que perdeu sua mãe: o que daria para novamente a ter?
Transforme lembranças tristes em recordações confortantes para memória;
Mas que cada pedaço de nós seja um recomeço da história,
Para amarmos melhor os próximos, os distantes, os desconhecidos e também a nós;
Cristo é o Senhor da Igreja; a Ele, neste momento, ergamos a voz,
Clamando sua misericórdia e perdão – e que Ele nos ensine amar como é devido;
Novamente é maio. Novamente é o segundo domingo.
Às mães, aos pais, aos filhos, aos avós, aos netos e aos agregados;
Aos não amados, aos rejeitados, aos felizes, aos tristes e aos enlutados:
Deus em Cristo vos abrace e abençoe abundantemente!
Feliz Dia das Mães.

Tatiane Nascimento