Assuma a Culpa!




A Bíblia nos mostra que desde os primórdios da humanidade o homem buscou um bode expiatório com o objetivo de se ver livre da culpa. No evento da Queda que ocorreu no Éden, vemos Deus inquirindo Adão a respeito do acontecido; nosso primeiro pai se esquivou do dever, transferiu a culpa para Eva, e esta por sua vez, à serpente (Gn 3.11-13).

Na Escritura temos muitos exemplos dessa natureza. Lembremos de Saul, o homem escolhido para ser o primeiro rei de Israel. Como rei, o seu papel era defender o povo do Senhor e zelar dele, no entanto, os registros em 1 Samuel nos provam completamente o contrário. Quando os filisteus se ajuntaram em grande exército para atacar Israel, Saul e seus homens de guerra se reuniram em Gilgal para esperar o profeta Samuel que viria sacrificar ao Senhor em favor deles. Infelizmente Saul se precipitou e ofereceu o holocausto quebrando o mandamento dado por Deus. Assim que ele ofereceu o holocausto, Samuel chegou. “Então disse Samuel: Que fizeste?” E Saul lhe respondeu: “o povo se espalhava de mim” (1Sm 13.11). Saul não assumiu a sua insensatez, antes, fez com que a culpa pelo seu erro recaísse sobre o povo. Na ocasião em que o Senhor ordenou a Saul riscar a memória dos amalequitas de debaixo do céu, mais uma vez ele se fez desobediente poupando a vida do rei e o melhor das ovelhas, cordeiros e vacas. Embora a culpa fosse dele e do povo (1Sm 15.9), quando Samuel o repreendeu ele disse: “o povo poupou ao melhor das ovelhas, e das vacas” (1Sm 15.15), e ainda sublinhou: “Antes dei ouvidos à voz do SENHOR, e caminhei no caminho pelo qual o SENHOR me enviou; e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas destruí totalmente; mas o povo…” (1Sm 15.21)! Aqui está o problema de Saul: “mas o povo”; ainda que os homens que com ele estavam não fossem totalmente isentos de culpa, a sua obrigação como rei era ordená-los que obedecessem a ordem vinda do Alto.

Ao olharmos para a vida de Davi, encontramos um coração disposto a reconhecer suas faltas e assumir a responsabilidade dos seus atos. O homem segundo o coração de Deus enumerou os homens de Israel e Judá, e isto desagradou sobremaneira ao Senhor. A peste alcançou os limites de Dã até Berseba matando setenta mil homens do povo. Quando Davi viu que a ira de Deus havia se ascendido, disse ao Senhor: “Eis que sou eu o que pequei, e eu que iniquamente procedi; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim” (2Sm 24.17)! Saul lançou a culpa sobre o povo, Davi lançou-a sobre si mesmo por amor ao povo do Senhor. Embora tivesse a opção de fazer como Saul, assumiu a sua culpa como rei ao invés de transferi-la à outros. Após se humilhar e oferecer sacrifícios, o castigo divino cessou.

Quando a crise bate à nossa porta a tendência é esta: Transferir a culpa. Culpamos o próximo, o Diabo, e às vezes até Deus. E por falar em Diabo, ultimamente, ele está levando a culpa em quase tudo. Hoje há demônio para todo tipo de pretexto. Aliás, isso facilita o nosso lado, tirando toda responsabilidade a nosso encargo. Gastamos mais do que ganhamos, e quando o dinheiro falta no fim do mês a culpa é do devorador. Não dedicamos tempo de qualidade aos nossos cônjuges e filhos, e quando as crises começam a ruir o lar, apontamos o dedo para o Anjo Caído. É certo que Satanás é culpado de muitas coisas, mas não de tudo. Vale sublinhar ainda que ele faz bom proveito das oportunidades que lhe damos. Os crentes precisam entender isto: não adianta terceirizar a culpa para o Diabo quando o problema é você. O Diabo sempre será o Diabo, e ele não vai mudar. Mas você pode mudar, assumir seus erros e se acertar com Deus!

Muitas coisas que acontecem em nossa vida só serão mudadas quando nós dissermos ao Senhor: A culpa é minha! Jonas desobedeceu a ordem de ir a Nínive, por isso Deus enviou uma grande tempestade que assaltou o navio onde estava o profeta. O mar se embravecia cada vez mais e muitas cargas tiveram de ser lançadas ao mar; mas quando Jonas disse: “eu sei que por minha causa vos sobreveio esta grande tempestade” (Jn1.12), foi dado o ponto de partida para acalmar o mar bravio. O fato de Jonas assumir a sua culpa não lhe deu o direito de não ser lançado no mar; Deus não têm o culpado por inocente (Na 1.3). Ao assumirmos a culpa devemos compreender que Deus corrigirá a nossa desobediência e isto vai ser doloroso. O processo de cura da nossa rebelião começa com os açoites da vara da correção, porém, “quem fere por amor mostra lealdade” (Pv 27.6 – NVI).

Desculpas, desculpas, e mais desculpas! O que iremos fazer quando estivermos diante do Juiz de toda a terra? Seja no Tribunal de Cristo ou no Juízo Final, “cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12). No Dia do Julgamento não haverá possibilidade de transferência, você terá de responder por si mesmo. Seremos responsáveis por tudo que fizemos ou deixamos de fazer. O pai não pagará pelos pecados do filho, nem o filho pelos pecados do pai, cada qual levará sobre si a consequência de suas escolhas, palavras, atos e omissões, e sobretudo, a sentença proferida por Ezequiel ecoará de forma estridente: “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).

O ladrão da cruz foi salvo, mas antes disto, teve de reconhecer sua miséria. Ele afirmou ao outro que zombava de Jesus: “nós, na verdade, com justiça […], recebemos o que os nossos feitos mereciam” (Lc 23.41). Essas palavras foram, com certeza, o início de sua jornada até o Paraíso para encontrar-se com o Rei!

Até quando você culpará seu cônjuge? Seu chefe? O ambiente onde você vive? Seu pastor? Deus ou o Diabo? Assuma a sua culpa! Se você quer “declarar a sua vitória” como dizem os pregadores triunfalistas, deve declarar primeiro: o problema sou eu! Não espere que Deus te abandone temporariamente para aprender esta lição. Deus várias vezes falou ao Seu povo a respeito dos seus pecados e eles não quiseram aceitar (Jr 3.13). Então o Senhor decidiu: “Irei e voltarei ao meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão” (Os 5.15). A praga cessou quando Davi reconheceu sua culpa perante o Senhor. O mar se acalmou após Jonas afirmar que ele era a causa da tempestade. O ladrão entrou no Paraíso por que assumiu a responsabilidade dos seus crimes. Você deseja experimentar as bênção de Deus? Vai e faze o mesmo!

Em Cristo,
Gabriel Oliveira