As emoções e o lugar de descanso




Quero iniciar este texto dizendo aos leitores que Deus, com toda a Sua onisciência, conduziu a sequencia destes escritos, não combinamos e nem comunicamos entre nós acerca dos assuntos que estávamos escrevendo, conhecíamos apenas o tema e Deus nos presenteou com a parte 2 totalmente integrada a parte 1.


Houve um tempo em que muito se valorizava a razão e menosprezava as emoções. Você se lembra do Iluminismo? O homem era composto apenas de razão. Entretanto, vejo um Deus que fez o homem completo, com razão e emoção. Quando Eva e Adão comeram do fruto proibido se sentiram envergonhados por estarem nus e procuraram roupas para vestir. A condição inicial deles no jardim era de completa nudez e isso não era um problema para eles, quando Deus veio visitá-los ao entardecer, se esconderam e tiveram medo. Somos feitos de razão e emoção, mas, não devemos deixar que elas tomem a direção de nossas vidas.


Foi esta composição de razão e emoção que fez uma mulher chamada Noemi sair da sua terra natal — Belém — com toda a família e seguir para uma terra estranha chamada Moabe. A fome assolava Belém e tomada pelo medo, insegurança, insatisfação, desespero e aflição, resolve sair com sua família para não vê-los perecer e morrer em tal situação. Não se sabe ao certo quanto tempo a família de Elimeleque e Noemi ficou peregrinando nos campos de Moabe; entretanto, sabemos que como diz a Bíblia em Jó 3:25: “Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu”; veio de encontro a família de Noemi: a morte, a tristeza, o vazio, a solidão, o medo. A amargura incidiu a sua casa e se abateu sobre os seus. Ela enfrentara o improvável na vida de qualquer mãe, ela havia perdido ambos os filhos e ainda o marido. Ela precisava agora juntar seus cacos e se reconstruir em meio ao caos das suas emoções. Estava ela agora, sozinha de parentela, em terra estranha e com duas noras moabiatas.


Pensou Noemi: “É hora de voltar pra terra do pão, Betel! Vou voltar para casa!”. Chamou as duas viúvas que compartilhavam do sentimento de luto que ela trazia em seu coração, do vazio de não ter filhos e da amargura de ter que voltar para a casa dos pais novamente. Três mulheres e uma partilha de emoções idênticas. Estas mulheres estavam devastadas e marcadas com uma triste historia a contar, porém “o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade” (Naum 1:3). Algo Deus estava a fazer.


Noemi pediu para aquelas jovens viúvas voltarem para a casa dos seus pais, Órfã resolveu ouvir o conselho da sogra; Rute se negou a voltar para sua família e deixá-la. Em toda a Bíblia este é o único juramento de fidelidade entre duas mulheres estranhas; Rute (nora) para Noemi (sogra): “não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”
(Rute 1:16). Declaração muito linda e que mudou os caminhos da vida de Rute. Noemi partiu com a jovem que deixou sua terra, seu povo, seus deuses e estava indo de encontro ao desconhecido. Rute estava amparada por uma mulher amarga e vazia que tinha agora a responsabilidade de reconstruir não só a própria história, mas a ambas. Noemi tinha que se apegar ao papel da maternidade novamente e em Belém buscar para a Rute um novo casamento, orientando e direcionando a jovem viúva a encontrar um esposo remidor.


A fé foi o apego que essas duas mulheres encontraram para iniciar o caminho de volta, uma tinha fé no que deixou para traz a outra fé no que foi descrito sobre Belém ao sentar-se ao redor da mesa de Elimeleque e Noemi. Sim, embora estivessem em terra estranha, procuraram certamente manter vivos os costumes. Elas chegam a Belém em tempos de colheita e Rute se depara com a bondade de Boáz, que ao saber do que ela deixou para seguir sua sogra diz: “não vás filha minha, colher em outro campo, não te passes daqui, porém te ajuntarás as minhas moças” (Rute 2:5).


Observem bem que Boáz colocou Rute dentro dos seus campos fartos, chamou-a de filha e a deixou na companhia de suas servas, as moças. Rute nota as atitudes de Boáz e grata, reconhece que mesmo não sendo uma das suas criadas é convidada a comer juntamente com ele. Rute — no capitulo 2 — se levanta farta da mesa de Boáz e ainda leva comida para a sogra. Em seguida no capitulo 3, vemos Noemi fazendo para Rute a seguinte pergunta: “não ei de te buscar descanso para que fiques bem?”
Neste ponto podemos observar o peso das escolhas que Rute tomou para si. Ela devia estar feliz, mas esta não era sua realidade. Deus com Sua bondade infinita, fez Noemi entender o que faltava a jovem viúva, a orientando para deitar-se aos pés de Boáz. As emoções de Rute estavam expostas, a tristeza de não ter um marido, não ter filhos, ter deixado sua terra e seus costumes se abateu sobre ela. Ah, que fardo pesado essa jura de fidelidade que fizera a Noemi…
Quando tomamos a decisão de nos entregar a Cristo queridas leitoras, as atitudes de Rute são vistas em nós; deixamos tudo para trás e seguimos rumo ao desconhecido. Assim como Rute, encontramos na caminhada a bondade de Deus que nos torna filhas, nos guia e encoraja. Somos todos os dias convidadas a nos assentarmos a mesa para comer (da Palavra), temos por campos de Boáz (a Seara), as servas do Senhor temos por companheiras de caminhada e ainda somos pegas pensando em voltar, em desanimar; estamos tristes, angustiadas e com medo, porque não encontramos o nosso lugar de descanso.


Como Noemi orientou Rute a deitar-se aos pés de Boáz, de modo que a mesma tivesse um encontro maravilhoso com o seu remidor; muitas de nós, mesmo estando dentro das igrejas, necessitam de ter esse encontro magnífico com Deus de encontrar este lugar de descanso no seu Salvador. De modo que, o mesmo Deus possa trazer paz para a sua alma em tempos de indecisão, medo e dificuldades: “lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade” (1Pe 5.7). Descanse aos pés do seu Salvador como Rute fez querida leitora. O melhor lugar de descanso é aos pés do remidor Jesus. Noemi tinha fé quando pediu para Rute repousar aos pés de Boáz, já Rute ao se levantar dos pés de Boáz, teve as suas esperanças renovadas para construir uma nova história.


Aqui vemos o desenrolar de toda um história que oportunizou uma estranha a entrar na genealogia que traria a vida o nosso Mestre amado Jesus.


Que em meio às emoções você possa encontrar o lugar de descanso em Deus crendo que Ele tem o controle de tudo.

Por Viviane Vieira