A POPULARIZAÇÃO DO CONCEITO DE EMPREENDEDORISMO




Ao longo do tempo, o mercado de trabalho sempre evoluiu ao ritmo da sociedade e das transformações econômicas na história da humanidade. Assim como a história secular, as relações de trabalho sofreram as maiores transformações, a partir das grandes revoluções iniciadas com a Revolução Francesa em 1789, continua até nossos dias. Nestes últimos dois séculos vimos a consolidação do capitalismo como modelo econômico, a ascensão política e econômica da burguesia, o desenvolvimento industrial e o tecnológico sem precedentes. Alguns eventos históricos merecem ser comentados para contextualização do tema e melhor entendimento das relações de trabalho e empreendedorismo, sobre o qual falaremos em artigos futuros, desta coluna.

Dando seguimentos as transformações sociais desencadeadas com a Revolução Francesa, a Revolução Industrial foi o evento que deflagrou a mecanização das fábricas, o processo de produção em escala e trouxe a concorrência e a necessidade de “qualificação”. Teve início na Inglaterra no final do século XVIII. Resultou no aumento da produtividade e na consolidação da burguesia (detentores do capital) como classe dominante. A partir da Revolução Industrial a urbanização, atraiu trabalhadores para as cidades, dando início ao surgimento de um mercado consumidor e ao setor de serviços. Marco do capitalismo a revolução trouxe consigo a relação empregado e empregador como a maioria de nós a conhecemos, nos dias atuais e também, desencadeou o desemprego. A maioria dos avanços nas áreas de ciência, tecnologia e medicina são resultados do contexto mundial desencadeado pela revolução industrial. Sem os grandes empreendedores da Revolução Industrial não existiria comércio automotivo e internacional, globalização, multinacionais e certamente as indústrias, não seriam o que conhecemos hoje, nem empregariam tantas pessoas. A primeira fase da revolução foi marcada pelo surgimento do motor a vapor. A segunda fase, pelo desenvolvimento de outros meios de transporte como carro e avião, durante o século IXX e no início do século XX.

As Primeira e Segunda Guerras Mundiais que ocorreram no início do século XX tendo a Europa como palco, foram os dois grandes conflitos que além de resultar em milhões de mortos, forjaram as alianças entre os países europeus que se dividiram em blocos estratégicos. Na primeira guerra mundial a Tríplice Aliança uniu Alemanha, Áustria-Hungria e Itália. A Tríplice Entente uniu França, Inglaterra e Rússia, com a entrada posterior dos Estados Unidos. Bloco que venceu a primeira grande guerra mundial entre 1914 e 1918. Este conflito resultou na alteração do mapa político da Europa e culminou com a ascensão econômica dos Estados Unidos.

A Segunda Guerra é considerada o maior conflito do século XX, teve início com a invasão da Polônia pela Alemanha em setembro de 1939 e durou até 1945. Levou a formação do Eixo Europeu, formado por Alemanha, Itália e Japão e do bloco dos Aliados, formado por Grã-Bretanha, URSS e EUA, que saíram vencedores. Transformando as relações internacionais, a economia dos mercados e a sociedade, o final da segunda guerra marca o período da terceira revolução industrial com o domínio da tecnologia nuclear e a expansão do uso de computadores.

Nos 25 anos posteriores a segunda guerra, o mundo viveu os ares do período conhecido como os anos dourados do capitalismo (1945 a 1973) marcados pela guerra fria, acumulação de capital e expansão econômica dos países capitalistas que mantinham suas políticas financeiras restritas ao estado nacional. A partir de meados de 1970 o mercado capitalista conservador sofreu uma desestabilização e em 1973 a recessão chegou. A crise do petróleo e da bolsa de valores nos EUA, desestabilizou os mercados mundiais impactando todas as esferas, inclusive e principalmente o mercado de trabalho. Em função da crise, o mercado de trabalho acirrou-se e muitas pessoas passaram a sobreviver de atividades informais ou secundárias geralmente relacionadas a oferta de algum serviço de baixo investimento. Consolidou-se o empreendedorismo motivado pela necessidade, a opção ainda hoje escolhida por muitas famílias para driblar a crise.

Em um cenário de crise mundial e fortemente baseado em elementos históricos ideológicos, em 1980 emerge com força total o neoliberalismo econômico. Inicialmente estabelecido nos países de tradição anglo-saxônica, espalha-se por praticamente todo o mundo ocidental, revelando a “visão de mundo” globalizado.

Cenário que serviu de palco para uma quarta revolução. Silenciosa e muito mais poderosa que as outras revoluções industriais, começou a se delinear na década de 50 nas bases militares norte americanas. A Revolução digital marcou o início da era da informação e em 1980 popularizou o uso da internet modificando completa e irremediavelmente a sociedade e as relações de trabalho. A globalização que veio com a internet foi muito maior do que aquela que veio com as grandes navegações, deixando para trás tudo o que era considerado como eficaz nas 3 revoluções anteriores.

Hoje (2019) estamos as voltas com a 5ª Revolução Industrial de espectro tecnológico, amplamente divulgada como Transformação Digital 5.0. Um mundo que muda exponencialmente, alterando todas as estruturas sociais e as interações humanas e “não humanas” da sociedade contemporânea que vive os dias profetizados por Daniel (Dn 12.4).

A transformação decorrente desta revolução reconfigura nosso cotidiano e tudo com o qual estamos acostumados a conviver. Surge o mundo exponencial ou, como alguns preferem chamá-lo, o mundo da singularidade. Este mundo tecnológico e globalizado é um campo fértil para o empreendedorismo de oportunidade para os mais capacitados. Praticamente, todas as iniciativas no campo da pesquisa cientificam e desenvolvimento com vistas à singularidade estão relacionadas à:

  • Computação Quântica: que agregará potência e velocidade a computação tradicional e possibilitará o multiprocessamento e tratamento de dados e informações disponíveis em nuvem ao redor do mundo, com mais rapidez e por meio de simulação e resolução de problemas.
  • IoT: a internet das coisas possibilitará a interconexão digital de objetos cotidianos, aparelhos domésticos, eletrônicos e automóveis com a internet, coletando e transmitindo dados em tempo real, por meio de sistemas “embarcados”.
  • Nanotecnologia: permitirá manipular a matéria na escala atômica e molecular;
  • Realidade virtual: possibilitará a criação de ambientes totalmente virtuais, 100% criados por computadores, permitindo que se realizem ações reais, por meio de computação.
  • Realidade aumentada: possibilitará a visão do mundo real complementado com informações adicionais. Por exemplo, por meio da realidade virtual você poderá entrar dentro do motor de um carro e observar como ele funciona e ao mesmo tempo ter todas as informações sobre o seu funcionamento. Você poderá olhar para qualquer pessoa e ver todas as informações a respeito dela, desde dados pessoais, de saúde e até registros criminais.
  • Robótica: permitirá criar uma inteligência não biológica maior que a inteligência humana, possibilitará a reconfiguração familiar a partir das relações entre o humano e a máquina;
  • Genética: possibilitará a reprogramação biológica dos seres vivos, alterando características físicas e/ou psicológicas;
  • Neurociência: iniciativas voltadas ao estudo do comportamento humano e reprogramação neural que associadas a genética e a robótica tem a pretensão de aumentar a longevidade humana.

Onde tudo isso nos levará? Que caminhos trilharão aqueles que servem a Deus?

“Algumas destas transformações passarão despercebidas, para alguns mais desatentos, pois nos habituamos a elas achando que estão dentro de um processo natural de evolução e desenvolvimento. Mas, há profundas reflexões a serem feitas quanto a estas transformações do mundo contemporâneo, não apenas em relação ao que vivemos em nosso cotidiano e como reagiremos a elas, mas, principalmente reflexões do âmbito espiritual que envolvem a agenda do final dos tempos, a revelação do Anticristo e a Segunda Vinda do Senhor. ”



Mas, voltemos ao tema. Viver nesse mundo em constante transformação e competitividade, passou a ser uma questão de sobrevivência e o empreendedorismo, embora já exista, na prática, desde a antiguidade, ganhou destaque nos discursos da atualidade. Empreender se tornou sinônimo de inovar e as micro e pequenas empresas ganharam identidade reforçada pelas startups (empresas iniciantes) que geralmente atuam no segmento tecnológico, agronegócios ou serviços e recebem investimentos de capital ou, surgem a partir das reservas financeiras de seus proprietários

O conceito sobre empreendedorismo foi difundido e popularizado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter na década de 1940. Além de relacionar-se com economia o conceito está ligado à ação de empreender, ou seja, transformar uma ideia inovadora em um negócio ou, uma solução tecnológica para algum problema.

No Brasil, o empreendedorismo surgiu nos anos 90, durante a abertura brasileira para a economia mundial. Com a entrada de fornecedores estrangeiros que controlavam preços, alguns setores que não conseguiam competir com produtos importados se engajavam em novos planos, abrindo negócios e oportunidades em torno de produtos e serviços variados.



Atualmente, segundo pesquisa realizada pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor), O Brasil chegou a 38% na TTE (Taxa de Empreendedorismo Total). Índice que tende a crescer, em função do número de desempregados que atinge o mercado de trabalho e por conta das transformações alavancadas pela tecnologia.

A figura do empreendedor, inicialmente, surgiu para diferenciar o empresário iniciante, inovador e gestor do próprio negócio, da figura do capitalista (aquele que simplesmente fornece o capital). Todo empreendedor reúne uma série de características pessoais e oferece um serviço, ou, produto diferente dos que já existem. Poderá oferecer algo que já exista, mas, que seja de alguma forma mais eficaz ou eficiente, agregando valor ao que já é ofertado.

No Brasil, já existem universidades que oferecem cursos que tratam especificamente do tema. O Sebrae é a principal instituição de fomento ao empreendedorismo e suporte à micro e pequena empresa, bem como a empreendedores individuais, brasileiros. No sítio do Sebrae, podem ser encontrados vários cursos gratuitos sobre o tema. O sítio da Endeavor Brasil, também oferece conteúdo de qualidade sobre o tema. Vale a pena conferir e fazer os cursos gratuitos. Afinal além de conhecimento o empreendedor precisa reunir vários outros atributos e competências.

O Exemplo de José Para Quem Quer Empreender

Quando o assunto é empreendedorismo e gestão não vejo como não citar o exemplo bíblico de José. O menino sonhador (Gn 37.5-36) judeu, vendido aos ismaelitas, escravo no Egito, que conquistou a confiança do carcereiro e iniciou seu ofício administrando a prisão. Um jovem cujo propósito se manteve inabalável diante das dificuldades, da traição dos irmãos, do cárcere, da oferta tentadora da mulher de Potifar e da autoridade delegada por Faraó. Um jovem que mostrou integridade e sabedoria, tornando-se o primeiro ministro da nação egípcia e fez dela a mais próspera de seu tempo. Medite na riqueza do exemplo e trajetória de José, como governador do Egito.

Tendo sua história como pano de fundo, torna-se muito fácil fundamentar quase todo o conteúdo sobre o PERFIL DE UM EMPREENDEDOR. José nos traz lições de liderança, mordomia, administração, planejamento a longo prazo, sabedoria, criatividade, inovação, análise e compreensão do cenário, poder e influência, gestão financeira, bondade, lealdade, integridade, diligência, perseverança, humildade, etc. (Gn. 39.1-23; 40.1-23; 41.1-40; 47.13-26). Acompanhe os artigos desta coluna, pois mais adiante trataremos de descrever com detalhes, cada uma destas “competências” relacionando-as com as ações de José. Um estudo muito interessante. Não perca!

No próximo artigo, darei mais detalhes sobre os 4 principais grupos de empreendedores, enquadramento empresarial e o formato jurídico das empresas brasileiras. Acompanhe as atualizações do site.

Fiquem todos na Graça e na Paz de nosso Senhor Jesus Cristo.

Sua irmã em Cristo

Simone da Silva

simonesilva.arh@gmail.com

Itajaí – SC